sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Coisas de quem não tem jeitinho nenhum para isto

Como sabem, este mês sou «ramplaçante» em Paris. Ou seja, «ramplaço» as porteiras de Paris.

Penso que já expliquei mas aqui fica de novo: a limpeza dos prédios, uma vez por semana, consiste em limpar as escadas (varrer ou lavar. Eu lavo porque varrer levanta demasiado pó e eu sou flor de estufa para estas coisas e tenho alergias e tusso e fico com os olhos vermelhos como se tivesse fumado três charros de seguida); lavar os vidros das portas (os prédios de Paris têm na sua maioria duas portas, uma de entrada e outra interior logo após a entrada do prédio e que dá acesso às escadas); limpar os «amarelos» (aplicar produto nas maçanetas ou pegas das portas e em tudo o que tiver cobre e puxar o lustro); varrer e lavar as entradas (alguns prédios - no meu caso, são três - têm alcatifa nas escadas (!!!) e é preciso aspirar); varrer a «curra» (relembro: «curra» = quintal interior dos prédios) e regar as plantas se as houver.

Hoje, sexta-feira, foi dia de limpezas. Já desconfiava que não tinha jeito para isto. Confirma-se.

Começo por lavar os vidros das portas. Para começar gostava de perceber porque é que existindo pegas e/ou maçanetas as pessoas insistem em espetar as manápulas gordurosas nos vidros. Deve ser de propósito. Só pode ser de propósito! Não vejo outra explicação. Bom. Lavo os vidros muito bem lavadinhos e está tudo nickel. Vou buscar o produto dos amarelos e quando volto vejo que afinal me escaparam umas dedadas. Ai a merda. Pego de novo no produto dos vidros. Mas de que lado estarão? Olho, olho e não dá para perceber (a iluminação dos prédios não é famosa). Lavo de novo. Afasto-me só para perceber que afinal as dedadas estavam do outro lado. Fuck!! Ok. Agora sim. Tudo limpo. «Faço os amarelos» e vou arrumar os produtos e buscar a vassoura e a esfregona. Quando volto vejo mais umas dedadas nos vidros. What the fuck?! Depois percebo que fui eu que pus as manápulas nos vidros quando limpava os «amarelos». Está visto que não tenho jeito para isto...

Outra coisa que descobri foi uma nova Lei de Murphy. Neste caso penso que posso chamar-lhe Lei de Sandra (afinal fui eu que a descobri!). Reza assim: 'podes passar uma hora a varrer o quintal, lavar os vidros e os amarelos, a regar as plantas, a pensar na vida, whatever e ninguém entrará nem sairá do prédio durante todo esse tempo. Mas se lavares a entrada, de imediato, não uma, nem duas, nem três, mas quatro pessoas entrarão e sairão do prédio patinhando todo o chão ainda molhado'. Não falha. O que vale é que para estas leis tenho a solução perfeita: 'temos pena'.

O mesmo se aplica a quem decide ir lavar roupa à lavandaria, às tantas da noite, sabendo que a dita fecha às dez da noite. Hoje, entro na lavandaria e estão três rapazes e três máquinas de lavar ocupadas. Duas já a centrifugar e outra mais atrasada. São 21h51. Não estou para brincadeiras e vou logo avisando: Bonsoir. La laverie ferme à 22h00. E eles: Aaah...à 22h00? e eu: Oui. C'est marqué sur la porte! e eles: On pourra pas sécher, alors? e eu: Non. Desolée. Olhamos uns para os outros e leio nos olhos deles a constatação de que terão de levar as roupas encharcadas para casa. E eles leêm nos meus: 'temos pena'.

Por último, uma pergunta: o que se chama àquelas pessoas que têm 55 (sim, 55!!) vasos com plantas no quintal para regar. Mais 7 dentro de casa e 4 na entrada do prédio. Um total de 66 vasos para regar. Perturbadas?

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